a culpa é uma velha conhecida
a culpa é uma velha conhecida. uma amiga discreta, que está sempre por perto. ela está sempre tão próxima que às vezes me esqueço da presença dela. sempre tão próxima que não consigo conceber que uma vida sem culpa é possível.
há uma culpa que mora em mim. ela me conhece melhor do que eu mesmo me conheço. ela está comigo há mais tempo do que consigo me lembrar.
no começo eu estava sempre errado de antemão. fui uma criança errada, que não fazia as coisas certas, ou não como os adultos esperavam. fui uma criança de modos errados, pouco masculinos, que precisava ser corrigida.
hoje sou um adulto errado, que às vezes comete erros apenas para sentir culpa, uma velha conhecida. você se lembra? diante do nosso desmoronamento, eu te apunhalei apenas porque assim me sentiria culpado. e porque, de certa forma, essa culpa me atava para sempre a você.
dessa forma, você nunca simplesmente iria embora. não seria simples. eu dificulto as coisas.
a culpa é uma velha conhecida. ainda não sei viver sem ela.
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