ninguém pode amar uma pessoa quebrada

quero voltar a um tempo em que as coisas eram mais simples. não por nostalgia, por outra razão. 

quero voltar a um tempo em que as coisas ainda não tinham acontecido. um tempo em que eu ainda não tinha lembranças. havia um futuro inteiro à minha frente e muitas oportunidades para errar e tentar de novo.

vivo sob o peso dos meus (auto)enganos. a passagem do tempo não os torna mais leves nem mais fáceis de se carregar. aos poucos vou me encurvando, me encolhendo sob o peso da minha bagagem. não sou tão forte quanto achei que eu fosse e lido mal com o peso dos erros que cometi.

fiz escolhas e não sei se entendo para onde fui. não sei se entendo para onde estou indo. não sei se entendo o que acontecerá comigo. não sei se estou, de fato, indo para algum lugar ou se o meu mundo parou de girar. o fato é que tenho essa sensação de que o mundo parou desde escolhi virar a mesa de jantar em que eu estava sentado com você. momentos antes, eu tinha essa mesma sensação de que o mundo havia parado. o que é pior, a sensação de que a sua vida acabou aos 26 anos em um casamento fracassado e que, portanto, não há mais nada a se fazer além da repetição dos dias e das brigas e das censuras que rasgam a sua carne? ou a sensação de que a sua vida acabou aos 27 porque você virou a mesa e, depois que a poeira abaixou, você viu os pratos no chão e a sujeira por toda parte e entendeu que ninguém pode amar uma pessoa quebrada?

ninguém pode amar uma pessoa tão quebrada por dentro.

vejo amigos e colegas constituindo novas vidas, novas relações e novos amores, e me lembro de que, na única vez em que tive essa oportunidade, eu optei por virar a mesa. lido mal com o peso das minhas escolhas, ainda que eu tenha tido as minhas razões.

eu ando encurvado e preocupado e ninguém pode amar uma pessoa encurvada.

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