aquilo que você me ensinou (eu fui um bom aluno, não fui?)
que casal improvável nós fomos. a união entre uma pessoa que detesta datas comemorativas e outra que não perde (ou não perdia) uma oportunidade de celebrar. essa pequena e aparente irrelevante diferença entre nós era a razão pela qual passávamos muitas dessas datas distantes um do outro. você preferia o isolamento no Natal, no ano ano novo, em tantos de seus aniversários. eu viajava para ver a família e você não me acompanhava, e eu nunca reclamava, mesmo sob os olhares suspeitos dos mais próximos de mim, que tinham a delicadeza de não me questionar diretamente sobre aquele homem que não fazia questão de me acompanhar para lugar algum, aquele homem ao lado do qual eu sempre estive sozinho.
a maior crise do nosso relacionamento, aquela que nunca seríamos capaz de superar e que selaria o nosso destino enquanto casal, aconteceu justamente em uma data comemorativa. na única vez, em cinco anos, em que passei um ano novo ao seu lado. aquela data em que você me humilhou na frente de uma amiga e depois se trancou no quarto, aquele dia em que você não conseguia mais esconder o quão farto você estava de mim, a bem verdade o seu cansaço transpirava por todos os seus poros e você nunca fez muita questão de reorganizá-lo, de abordá-lo, de buscar junto a mim uma forma de fazer diferente. você estragou o meu ano novo quando ninguém mais teria capacidade de fazê-lo. só você teria essa capacidade. e você agarrou esss oportunidade com as suas duas mãos.
desde então, não comemoro mais nada. as datas comemorativas são, para mim, uma tortura. é que eu ainda lido com o desejo de viver aquilo que você nunca me ofereceu. eu ainda gostaria de viver um ano novo ao seu lado. um Natal com você. mais um aniversário com você. mais 99 natais e 99 aniversários, e quantos mais eu pudesse viver. eu sei qual seria a minha escolha.
e mais uma vez, ignoro que faço essa escolha sozinho.
estou sozinho como nunca. mas na verdade, sempre estive, não é?
com você, aprendi que não devo comemorar e que não devo pedir mais. aprendi que talvez eu não seja digno de tanto. que não há razão para tanta celebração.
e agora vem a pior parte: como um bom aluno, eu aprendi direitinho aquilo que você tão dedicadamente me ensinou.
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