adultos não são abandonados (fui eu quem me abandonei)

já faz duas semanas que estou acometido por uma tosse que não alivia por nada e que me leva a questionar, afinal, o que tanto há para expelir que não vejo, que não quero ver.

os sonhos com você continuam. recusam-se a me abandonar. é que também há algo em mim que se recusa a abandonar a ideia de você. não consigo, me frustro, tento de novo, me frustro, não consigo te expelir. há dias como hoje em que a sensação é de que voltei à estaca zero, eu regredi em tudo e reprovei nessa dolorosa matéria de superar você, não consigo. eu ainda sinto a sua falta e ainda te amo e ainda quero que você me possua e ainda quero desaparecer, porque é mais fácil desaparecer do que (re)inventar uma vida sem você. esse era o nível da minha confusão, do meu estado de autoabandono, pois não há ninguém que tenha me abandonado a não ser eu mesmo, adultos não são abandonados, adultos fazem escolhas que os levam a ir ou ficar, nós fizemos a nossa e tudo que eu queria é passar uma borracha para tentar tudo de novo. mas não te conto, não quero que você saiba. uma ínfima parte de mim que se restabeleceu nos últimos três meses não quer nunca mais dar tanto poder a você.

caramba, como você tinha poder sobre mim. você me tinha na palma da sua mão. achei que seria bom desaparecer entre os seus dedos, achei que fosse tudo que eu queria, mas tudo que eu consegui sentir foi sufocamento. e agora culpo você. e me culpo também. e recomeçamos o processo.

sonho com você, eu te culpo, eu continuo tossindo, eu continuo tentando, eu me culpo e não consigo te expelir

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