Vinte e sete anos já se foram
perder você depois de cinco anos tem sido o maior teste que já me foi aplicado até aqui. alguém deve imaginar que, após um vestibular, uma graduação, um mestrado e a metade de um doutorado, nenhum teste poderia me assustar.
então, de repente, me vejo diante deste: ter que superar o vazio que você deixou. ter que superar você. uma ideia absurda. às vezes, penso que eu preferia ter que fazer o vestibular mais uma vez. eu preferia ter que fazer novamente aquela prova de física, com a qual, de vez em quando, ainda tenho pesadelos. eu trocaria todos esses pedaços velhos de papel pardo, a que alguns chamam de diploma ou certificado, por uma vida inteira com você. uma vida exatamente como havíamos sonhado há alguns anos. esses papéis não importam. o que é que importa, se já não vivo ao seu lado? o que é que resta? algo resta?
resta. eu sei que resta.
tento respirar (pro)fundo e tento me consolar. tento pensar que já se foram vinte e sete anos. não devem restar mais do que trinta ou quarenta. vinte e sete anos já se foram. vinte e sete anos já se foram. eu consigo. eu consigo. eu consigo.
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