a sinfonia de lamentos do depois

o que me paralisa é o medo de que os anos ao seu lado tenham sido o pico da minha vida. me assusta lembrar que, muitas vezes, era exatamente essa a sensação que eu tinha ao seu lado. a sensação de que eu tido a grande sorte, a sensação de que um amor assim só se vive uma vez. a sensação de que eu não o valorizava o suficiente. mesmo quando reconheci que caminhávamos para a queda, havia uma voz dentro de mim que ainda sussurrava: os bons ventos estão se dissipando. aproveite ao máximo enquanto ainda é possível sentir alguma coisa dos seus efeitos.

dissiparam-se. me derramo com o fim. transbordo, escoei por algum buraco, eu desço cada vez mais fundo e a cada vez tenho mais dificuldade para fazer o caminho de volta. não há para onde voltar. aquilo que eu era quando estava com você não está mais na sala, a não ser como fantasma. fui embora com você, e a pior parte, eu gostava muito de quem eu era com você, nunca na vida havia sentido tão bom apreço por mim mesmo. o poder do seu amor era assim. o poder de me mostrar que eu era amável, que eu merecia amor. mas esse poder veio a enfraquecer ao longo do tempo, sem sombra de dúvidas. eu tinha dúvidas, dúvidas.

mas mesmo assim, eu sabia, eu sabia em algum lugar dentro de mim que aqueles eram os melhores anos da minha vida.

e se o pico da minha vida tiver ficado para trás, com você, e o que resta agora, o depois, for nada além de uma sinfonia de lamentos? tenho medo. esse medo me paralisa.

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