a morte de uma (da nossa) língua
Eu não sei fazer isso e não sei se é possível viver assim. Às vezes, penso que vai ficar tudo bem. Que ainda sou jovem e que ainda tenho tempo de sobra para conhecer o amor de muitas outras formas, tão ou mais saudáveis do que aquela que você me ofereceu. Outras vezes, como agora, sou tomado por um estado do mais absoluto desespero. Porque a questão não é o tempo que resta, se há tempo, talvez haja, pode ser que não, mas não é isso. E sim que não há um amor que seja igual ao anterior. E isso eu não aceito. Não aceito que não vou encontrar um amor como o seu, quando o seu amor ainda é tudo que eu quero. Ainda não domino a arte de fingir que somos estranhos depois de cinco anos em que compartilhamos a mais íntima das intimidades, em que criamos a nossa própria linguagem, uma língua só nossa, respirando por aparelhos, que depende daquilo que eu sou pra você e daquilo que você é pra mim, que depende de como costuramos as nossas fantasias às nossas formas de comunicar e de não comunicar. E por isso, a morte de um amor é a morte de uma língua. Um linguicídio. Estou demolido. Eu não sei mais em que língua (me) dizer. Eu só lembro que eu gostava de ser dito pela sua.
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