Busco um estranho como você

Um supro de lucidez, às vezes, ainda me encontra, me pega desprevenido. E de repente, eu, que estou há tanto tempo lamentando a tua ausência, vacilo um pouco em minha postura. Eu, que tenho a sensação de que não há mais nada de digno de se viver depois que você se foi, me pego pensando que… talvez, mas só talvez, eu esteja errado.

Por quê? Porque idealizo você e aquilo que vivemos juntos e me esqueço profundamente do quanto estar com você me tornava frustrado e infeliz. Então, por que me esqueci dessa sensação e sinto como se a minha vida tivesse acabado? Por que não consigo imaginar uma vida pós-você, se vivi por vinte e dois anos sem você, por que isso parece impossível agora, me diga, por que é que sinto como se você fosse a minha vida inteira, e que sem você, perdi aquilo que havia de mais valioso?

Hoje eu e você não passamos de estranhos, meu bem. Mas nós já fomos mais do que isso. No entanto, antes de sermos mais do que isso, fomos estranhos um para o outro. Fico, assim, na esperança de encontrar outros estranhos. Outros que talvez não sejam como você. Mas que, assim como você, poderão despir-se de toda a estranheza, até que eu sinta que fundamos um laço familiar.

Se você um dia já foi um estranho pra mim, isso me faz lembrar que é possível haver vida sem você. Há estranhos que podem ter aquele “quê” especial. Aquele “quê” que você tinha, aquele “quê” do qual sinto tanta falta. Me desculpe.

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