Não quero mais machucar ninguém

Não há mais por que lutar.

Não há mais por que brigar.

Por que ainda estou correndo, por que ainda estou me apressando?

Teimoso como sou, é claro, eu continuo lutando. Eu continuo acreditando que, sim, é possível. Mas meu fôlego para continuar a correr já não é mais o mesmo. Minhas pernas cambaleiam e já ameaçam não mais me sustentar. Já não estou correndo, estou engatinhando, rastejando, perscrutando os teus rastros, cheirando-os bem de perto como uma pessoa insana, tomo em minhas mãos um pedaço da terra e inspiro. Essa foi a terra em que você um dia pisou. Como uma pessoa doente, eu provo dessa terra, lanço-a sobre os meus cabelos. Subitamente, me sinto imundo e arruinado, da mesma forma que me sinto por dentro.

Eu tentei muito lutar contra essa sensação. Mas não há mais por que lutar. Esse foi um ano perdido para mim. Eu estou perdido. Não tenho nenhum senso de orientação e não sobrou nenhum respeito por mim mesmo. Eu tentei encontrar o amor de novo, na esperança de apagar as suas marcas ainda tão firmes, ainda tão fortes, e não encontrei nada além da minha própria indiferença. Eu machuquei os sentimentos alheios porque nenhum dos homens com quem saí me pareciam à sua altura, eles não me pareciam em nada como você. E é você quem eu busco, eu busco por você sempre. É injusto com os outros. É injusto comigo mesmo, já que sei que nosso amor está para além do recuperável.

Por um instante, em meio àquela confusão toda, achei que nossa separação poderia me libertar. Mas de alguma forma, me sinto mais aprisionado do que antes. Agarrado ao fantasma de um amor que não existe mais, mas que insisto em não deixar ir.

Eu não quero machucar ninguém. Por favor, me perdoem. Eu juro que eu desisto.

Eu desisto. Eu aceito. Não há ninguém como você. Nunca haverá ninguém como você. Essa é uma busca fadada ao fracasso. Este é um ano fadado ao fracasso. Eu me sinto fadado ao fracasso. Mas isso não me dá o direito... Eu sei. Eu não quero machucar mais ninguém. Por isso, eu desisto. Eu vou e devo ficar sozinho, não sei por quanto tempo, mas talvez por muito tempo, como eu sempre soube que haveria de estar.

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