ainda sobre ir embora
"esta noite sonhei com você", me disse a minha mãe.
"o que eu fazia no sonho?"
"você dizia que ia embora. que estava largando o emprego, que estava largando tudo. e indo embora".
abri um sorriso, como quem foi pego no pulo. pra minha mãe, foi apenas um sonho. mas no seu inconsciente, ela sabe. ela sabe que eu desejo ir. que eu desejo outra coisa. outra coisa que não isto. que eu quero rasgar, que eu quero implodir, que eu quero entender. eu quero me desfazer de tudo, eu quero me despir. eu não quero mais me sentir sozinho, insuficiente, eu, que não dou conta, eu, que mal levanto da cama, eu, que tenho poucas forças e pouca energia, eu, que sinto saudades do que a gente teve, eu, que gostaria de me sentir amado e me autossaboto com a minha ansiedade, eu, que não sei confiar. eu, que já não quero mais segundos.
a minha mãe sabe que eu desejo ir embora.
eu gostaria que você também tivesse pressentido. e que tivesse me tratado como alguém que poderia ir embora. que tivesse me puxado pra perto. que tivesse me resgatado.
talvez assim o meu quarto não se transformasse em uma ala psiquiátrica todas as noites.
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