O seu aniversário
Este é o seu primeiro aniversário sem mim desde que a nossa história chegou ao fim. Tenho raiva pelo fato de que esta data não é como outra qualquer. Talvez nunca mais seja. Talvez haja algo nesta data que estará sempre pronto para me atravessar, me atravessar tão facilmente quanto o faria uma agulha. E mesmo antes de chegarmos ao dia de hoje, eu já pensava em você. Pensei você ontem, anteontem e também na antevéspera. Estive, ao longo desta semana, sempre pensando em você. Pensando em como teríamos planejado as comemorações do seu aniversário este ano. Pensando no presente que eu teria te dado. Pensando nos lugares para onde eu teria te levado. Para onde, dentro de mim, ainda gostaria de te levar. Ainda gostaria de te encontrar.
Sinto essa sensação na rua, diante de estranhos que me pareçam, de alguma forma, semelhantes a você. Fico gelado diante da possibilidade de te encontrar casualmente pelos lugares que costumávamos frequentar juntos. Quero me afastar, me manter a uma distância segura. E ao mesmo tempo, me pego torcendo para que seja você. Fico mentalizando comigo mesmo, por favor, que seja você. Que eu tenha mais essa oportunidade de te ver mais um pouquinho. Te cheirar mais um pouquinho. Te abraçar mais um pouquinho.
Ah, como teríamos. Ah, como faríamos. Como são doces os momentos que nunca teremos. Estes momentos tão sublimes, que arrancamos de nós mesmos como quem arranca uma erva daninha. Ainda choro pela nossa erva daninha. Eu sei que você já não chora mais. E está tudo bem.
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