eu cheguei ao meu limite (não quero mais tentar caber em você)
eu não quero mais ter que me provar pra você.
acho que já fiz tudo que eu poderia fazer e também o que não poderia.
eu deixei de lado o que estava visível - a ausência de reciprocidade - porque eu queria estar com você.
eu aceitei não ser nada além de uma opção confortável. nada mais do que isso.
eu aceitei que você ainda mora com o seu ex. que seu coração está em outro lugar e que não há paixão nos seus olhos. eu aceitei tudo sem chorar. mas agora, enquanto escrevo, meus olhos estão marejados.
eu reservei as nossas mesas mais de uma vez. eu tomei as decisões que você não se sentia confortável pra tomar. eu liguei no restaurante e resolvi as dúvidas que você tinha. e esperei que você valorizasse esses pequenos esforços que faço para te ver. para te ver feliz. para, talvez, me sentir parte da razão da sua felicidade.
eu aceitei as sementes por semanas, na esperança de que seu amor por mim alguma vez florescesse.
mas mesmo depois de algumas taças de vinho, ainda não há paixão nos seus olhos. eu não tinha ideia de que a ausência de paixão no seu olhar poderia ser tão corrosiva. eu nem sabia que poderia me dissolver assim.
mas me dissolvo. e a questão sobre a paixão é esta: não importa mais o que eu faça. ou ela está lá ou não está.
eu me permiti derreter completamente por você. por cada detalhe que faz você especial. mas se nem mesmo após algumas taças de vinho as minhas qualidades parecem suficientes, se elas não fazem com que você me olhe com outros olhos, se elas não fazem com que você me procure e se tenho sempre que te procurar, sempre eu... então será que eu sirvo pra você?
será que posso ser algo além de apenas uma opção confortável?
será que posso ser mais interessante do que uma opção para sexo casual?
será que você se lembrará de mim com carinho?
será que você percebe enquanto me afasto, enquanto me recolho, enquanto abro outras garrafas de vinho, desta vez, para tomar sozinho?
e será que isso faz alguma diferença pra você?
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