não me conformo, era uma pergunta simples

"você quer ficar comigo?"

era uma questão simples de ser respondida. depois de um primeiro encontro regado a buquê de flores, de beijos intensos e amassos apaixonados, de conhecer as suas amigas e a sua mãe, para quem eu até trouxe presentinhos, depois de um passeio de mãos dadas no zoológico, quando você ficou tão encantado que parecia uma criança se divertindo, assistindo aos bichos pela primeira vez. depois de termos ficado obcecados com o mesmo filme, a que assistimos com as mãos grudadas no cinema, e depois de planejarmos uma viagem para o litoral e para o ano novo, você tinha me questionado há seis dias atrás onde eu gostaria de passar o réveillon. depois que a sua mãe tirou o pó das louças da Vó Natália porque me receber era uma ocasião especial, depois dela me ter feito um bolo de cenoura e me chamado para viajar com vocês para Águas de Lindoia, depois que você passou uma semana estudando um prato para cozinhar pra mim, se frustrou, e ainda assim me fez um delicioso macarrão à carbonara, depois de ter tirado a minha curiosidade de como era a sua caligrafia com um bilhete, em que você me escreveu que eu seria o seu futuro namorado...

depois de tudo isso, você silenciou diante dessa pergunta. disse que conversaríamos ontem à noite. ainda estou esperando.

e o mais incompreensível ainda: hoje, às 9h39, 15 de setembro, terça-feira, você continua em silêncio e eu continuo esperando.


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