não mereço que esta vida dure muito

A maioria dos adultos que, como eu, estão chegando ao fim de seus vinte anos, têm medo de uma coisa: envelhecer. A maioria deles temem a transitoriedade, a perda e o luto. Eles temem reconhecer essa transitoriedade em si próprios. Em suas costas. Em sua pele. Em seu desejo.


Eu já temi o envelhecimento, o que ele é capaz de fazer e o que certamente fará comigo. Já o temi profundamente, de ter crises de ansiedade, de ficar sem fôlego em uma noite qualquer dos meus vinte e quatro anos. Já me desesperei com a possibilidade de ser abandonado e já irrompi em lágrimas com a certeza de que, um dia, será a vida quem irá abandonar estes olhos, este corpo.


Mas, ao fim dos meus vinte anos, essa certeza não é mais um destino trágico. É celebrada como uma esperança. Me desespero com a possibilidade de ter ainda muito tempo. Tempo para quê?


Descobrir o que fazer com o tempo desconhecido que nos resta é a tarefa de uma vida. E eu estou cansado de lutar para encontrar algum prazer com essa tarefa. Eu sou muito novo e estou cansado de perder.


Eu me desespero com a possibilidade de que essa vida dure muito. Eu não tenho o que fazer com o amor que eu dei para você, meu bem. Você diz que não consegue entender, como não é capaz de me amar se eu sou tudo que você pediu ao universo?


Eu só sei que você também é tudo que eu sempre pedi ao universo. A diferença é que eu te amo, mesmo assim, isso não é suficiente. Eu te amo, mesmo assim.


Irrompo em lágrimas com a possibilidade desta vida ainda durar muito. E me pergunto como seria se esta vida me abandonasse de uma vez.

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