eu volto correndo quando você me chama
apesar de saber o quanto você me atrasa e me puxa para baixo, apesar de perceber o quanto você evita me elogiar e se interessar pelo que faço, pelo que escuto e pelo que escrevo, e apesar de saber que, por outro lado, você é muito rápido em fazer críticas e zombarias das minhas respostas e reações a acontecimentos cotidianos, ainda assim, eu insisto em deixar você voltar.
e apesar de você sempre dormir mal quando está na minha casa (sempre por razões diferentes: o barulho dos carros na avenida, o estranhamento do colchão, o travesseiro desconfortável, a noite anormalmente fria, o alarme que soou no vizinho durante a madrugada), ainda assim, você insiste em voltar.
e apesar de eu saber que não sou mais suficiente, que não sou a pessoa com quem você deseja se relacionar e apesar de perceber que você não me admira como um dia já admirou, você não me deixa ir embora.
você me surpreende e coloca aquela música de que gosto muito para tocar. e meu coração se tranquiliza, como se isso fosse maior do que todo o resto. mas não é.
ainda assim, eu volto correndo sempre que você chama o meu nome.
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