a tristeza nunca irá me abandonar
o que mais eu esperava?
que você se mantivesse para sempre orbitando em torno de mim, fazendo-me refém, submetendo-me a suas idas e vindas sem nunca me reassumir como eu gostaria que você tivesse feito, como eu sei que você poderia fazer, mas você não queria, então o que mais eu esperava? que você permanecesse, ficasse, que dissesse que sou insubstituível, que pelo menos uma vez me rasgasse elogios ao invés das críticas com as quais você me feriu por cinco anos, é difícil dizer o que eu esperava. que você parecesse infeliz? talvez eu ficasse feliz em notar você infeliz também, pois assim eu me sentiria menos sozinho, pois assim eu teria certeza que o problema não era comigo, mas também com você.
o fato é que, um ano e meio depois, é finalmente visível o quanto você está melhor sem mim. mais bonito, mais confiante, com uma perspectiva de futuro.
já eu, não importa o quanto eu tente mudar, eu permaneço o mesmo. eu posso mudar de local de trabalho, emprego e de carreira, eu posso aprender novos hobbies, eu posso fazer novas tatuagens, eu posso mudar de casa, eu posso muita coisa e posso tanto... posso me enganar pelo tempo que for. mas ainda sou, na prática, o mesmo garoto assustado que você conheceu há seis anos atrás e que você escolheu para construir uma vida a dois. ainda sou o mesmo garoto assustado que não encontrava as palavras para se colocar diante de você, e o mesmo garoto assustado que estudava e lia o que você lia pra tentar te acompanhar, pra tentar ser como você. eu queria ser como você, mas o tempo passou e eu continuo sendo o mesmo garoto assustado.
na prática, eu posso me enganar com mil e uma mudanças. eu permaneço o mesmo. eu ainda sou triste. eu sempre vou ser.
um dia, quando eu escrever sobre isso, quando eu escrever sobre a minha vida, e não que ela seja tão interessante assim, não é, mas quando eu tiver coragem de escrever sobre o quanto me sinto inadequado, deformado, pequeno, indigno... um dia, quando eu escrever, vou começar falando sobre essa tristeza. a minha tristeza. sobre como eu achei que você tivesse me salvado. e sobre como eu descobri que eu permanecia triste, que a tristeza nunca me deixaria.
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